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MATT MARRIOTT

MATT MARRIOTT

MATT MARRIOTT  

Western    Série Terminada    12 álbuns   Português     1965 - 1982   1147000000      

MATT MARRIOTT – UM “WESTERN” INSUPERÁVEL por José de Matos-Cruz - Mundo Aventuras 292 5ª série.

A saga de “Matt Marriott”, embora projectada no mítico Oeste americano, nasceu em Inglaterra – onde foi publicada, originalmente, no Evening News, em 1955... São seus autores Tony Weare no desenho, e James Edgar no guião. Aliás, também se devem a artistas britânicos (Wes Slade, de George Stokes, e “Gun Law (Matt Dillon)”, de Harry Bishop – aparecidos em 1971, respectivamente no Sunday Express e no Daily Express). No entanto, apesar das opiniões divergentes a respeito da série, considera-se Matt Marriott um caso à parte, quer em relação ao conteúdo dramático – no tocante à generalidade dos protagonistas e dos enredos – sobre a temática western. Existe um “estilo Marriott”, desde logo, uma estrutura dramática jamais vulgar: a genealogia de heróis-anti-heróis, que se entrecruzam em situações de peripécias patéticas, marcadas por várias facetas da humana dor (as angústias e os traumas dos vencidos, em conjunto, com o desespero dos vencedores), que pode ser apreciado num simples episódio, com toda a sucessiva carga dos conflitos que se agudizam, até uma inevitabilidade trágica, sentimos-nos embargados pela opressão e cruel determinismo que ronda todos os participantes em cada aventura. Quanto à ilustração, “Matt Marriott” é insuperável. Weare trabalha apenas com a pena, desprezando a trama mecânica. O seu traço, aparentemente tosco, atinge duplamente uma sensação de relevo e profundidade. Todo um trabalho meticuloso, por vezes equitativo para obter importante contraste com a silhueta, ou a iluminação. Os rostos parecem talhados em madeira, ou modelados a cinzel – o que lhes dá uma expressão animal (sem ser vilões), desgraçada ou até heroica. E os cenários, por vezes, são de uma beleza rústica, com a rudeza dos ambientes ou da paisagem. Muito haveria a especular sobre a psicologia dos heróis: as características mais notórias da grandeza de Marriott: a justiça, a energia melosa, a generosidade de Powder Horn. Entre estes dois companheiros que perpetuam a quixotesca peregrinação – existe uma ambígua relação que, radicando-se na carência de protecção comum, se radicaliza num complexo sexual apenas sugerido. Não são paladinos triunfalistas e lendários, mas autênticos perdedores ante a adversidade, que apenas se impõem graças à tenacidade, quase suicida, e à perseguição pelos traumas que os rodeiam. Mais do que expedientes, são instrumentos eficazes numa função que se repete e os reclama, com insuspeitáveis consequências... As restantes personagens que compõem o bestiário seleccionado, quase sempre, são de uma riqueza de expressão, que se acentua na sua decadência, ou até na sua monstruosidade. E tudo isto, prepondera, a partir de um estilo ainda provocante – em conflito exemplar, estabelecem-se as noções do ódio e da culpabilidade. Matt Marriott e Powder são irresistivelmente enlaçados, aceitando, com heroísmo, os acontecimentos, para um epílogo de justiça, pelo menos, sobremodo a dignidade.

     

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