Antonio Hernández Palacios: O Pintor da História em Quadrinhos
Antonio Hernández Palacios nasceu em Madrid, a 16 de junho de 1921, e faleceu em 1995, deixando uma obra profundamente marcada pela paixão pela história, pelo rigor documental e por uma estética pictórica que elevou a banda desenhada espanhola a novos patamares de expressão artística.Formação e primeiros trabalhos
Palácios iniciou a sua carreira como ilustrador e cartazista, trabalhando para revistas como Blanco y Negro, Nuevo Mundo e Gráficos. Produziu cartazes de cinema — como Capitán Maravillas e Fu Manchu — e também material publicitário e médico. Durante os anos 50 e 60, dedicou-se à ilustração editorial e à pintura, mas foi nos anos 70 que renasceu para a banda desenhada, com a revista Trinca da Editorial Doncel.Manos Kelly e El Cid: a epopeia hispânica
As suas duas séries mais emblemáticas são:Manos Kelly: ambientada no Oeste americano, com um enfoque histórico e cultural raro no género. Palácios procurava incluir sempre dois ou três factos inéditos, oferecendo uma leitura informada e formativa.El Cid: uma recriação épica da figura de Rodrigo Díaz de Vivar, com um rigor histórico impressionante. Palácios documentava-se intensamente, como no episódio La Toma de Coimbra, onde procurou fontes portuguesas para captar o espírito da época.Visão histórica e humanista
Palácios via paralelismos entre os movimentos históricos que retratava: a formação da nação espanhola na Idade Média e a colonização das Américas. Para ele, El Cid e Manos Kelly são humanamente semelhantes — figuras que enfrentam o desconhecido com coragem e convicção.Legado
Antonio Hernández Palacios é reconhecido como um dos maiores autores da banda desenhada europeia, especialmente pela sua contribuição à BD histórica. Recebeu vários prémios, incluindo o Gran Premio del Salón del Cómic de Barcelona, e continua a ser estudado e admirado por autores e historiadores da arte sequencial.