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Jérémy

Jérémy

AUTOR

JÉRÉMY

  • 1287000001
  • Jérémy Petiqueux
  • Desenhador, colorista, ilustrador, argumentista e autor de banda desenhada
  • 26-10-1984
  • Tournai
  • Bélgica
  • Aventura histórica, fantasia heroica, ficção científica, pirataria, fantasia sombria e drama histórico
 
BIOGRAFIA

Infância e formação

Jérémy Petiqueux nasceu em Tournai, na Bélgica, em 1984. Desde a infância demonstrou uma grande paixão pela banda desenhada, descobrindo diferentes universos narrativos através dos álbuns disponíveis na biblioteca de Taintignies e das coleções da sua avó.

Frequentou a Academia de Belas-Artes de Tournai, onde estudou durante vários anos, incluindo uma formação superior especializada em banda desenhada. Nesta fase, os seus desenhos apresentavam uma forte influência da estética manga japonesa.

Aos 17 anos, conheceu Philippe Delaby, o prestigiado desenhador de Murena, através de uma ligação familiar. Este encontro revelou-se determinante para a sua carreira, pois Delaby reconheceu o potencial do jovem artista e passou a acompanhar o seu desenvolvimento.

Sob a orientação do desenhador belga, Jérémy aperfeiçoou a sua técnica, aproximando-se progressivamente do realismo gráfico característico da banda desenhada franco-belga.

Primeiros passos profissionais: a colaboração com Philippe Delaby

A entrada de Jérémy no mundo profissional aconteceu em 2004, quando Philippe Delaby o convidou para colaborar na coloração de Moriganes, um álbum da série La Complainte des Landes Perdues, escrita por Jean Dufaux.

No ano seguinte, assumiu sozinho a coloração de La Déesse Noire, quinto volume de Murena. O sucesso desta experiência levou-o a abandonar os estudos para se dedicar inteiramente à banda desenhada.

Entre 2005 e 2010, trabalhou como colorista em vários álbuns de Murena, contribuindo para a atmosfera visual da Roma Imperial criada por Delaby. A sua utilização das cores valorizava a iluminação, a profundidade dos cenários e a intensidade emocional das personagens.

Em 2006, recebeu o prémio Pinceau d'Or, no Festival de Banda Desenhada de Vaison-la-Romaine, pela coloração do quinto volume de Murena.

Esta primeira etapa profissional proporcionou-lhe uma aprendizagem fundamental e estabeleceu uma relação artística duradoura com Jean Dufaux.

A afirmação como desenhador: Barracuda (2010–2016)

Depois de vários anos dedicados à coloração, Jérémy recebeu de Jean Dufaux a oportunidade de assumir o desenho de uma série original: Barracuda, publicada pela Dargaud.

A obra, composta por seis álbuns, decorre no universo da pirataria do século XVII e acompanha o destino de três jovens cujas vidas se cruzam num ambiente dominado pela violência, pela ambição e pela procura de liberdade.

Ao contrário das aventuras tradicionais de piratas, Barracuda privilegia também os conflitos psicológicos, as rivalidades pessoais e as relações entre as personagens.

O projeto permitiu a Jérémy afirmar-se como desenhador completo, demonstrando especial talento para as cenas de ação, os ambientes marítimos e a caracterização de personagens complexas.

O sucesso da série consolidou a sua posição entre os artistas emergentes da banda desenhada europeia.

O regresso a La Complainte des Landes Perdues (2014)

A morte inesperada de Philippe Delaby, em 2014, representou um momento particularmente difícil para Jérémy, que perdera não apenas um colaborador, mas também o seu principal mentor artístico.

Perante a necessidade de concluir o oitavo álbum de La Complainte des Landes Perdues, aceitou terminar as 21 pranchas que Delaby deixara inacabadas.

A tarefa exigiu uma adaptação cuidadosa ao estilo do mestre, de forma a preservar a continuidade visual da obra e respeitar a identidade das personagens.

Este trabalho assumiu um significado especial na carreira de Jérémy, constituindo simultaneamente uma homenagem ao artista que o introduzira no mundo profissional.

A colaboração com Alejandro Jodorowsky: Les Chevaliers d'Héliopolis (2017–2020)

Em 2017, Jérémy iniciou uma nova colaboração com Alejandro Jodorowsky, um dos mais influentes argumentistas da banda desenhada europeia.

Desta parceria nasceu Les Chevaliers d'Héliopolis, uma saga de quatro volumes publicada pela Glénat, que combina acontecimentos históricos com elementos de fantasia, alquimia e esoterismo.

A narrativa acompanha uma ordem secreta de cavaleiros alquimistas, desenvolvendo-se num universo onde a busca da imortalidade se cruza com os acontecimentos da Revolução Francesa.

O projeto permitiu a Jérémy explorar ambientes visuais mais imaginativos, afastando-se parcialmente do realismo histórico que caracterizara os seus primeiros trabalhos.

A série confirmou a sua versatilidade e capacidade para interpretar narrativas de grande complexidade simbólica.

A afirmação como autor completo: Layla e Vesper

Em 2018, Jérémy apresentou Layla – Conte des Marais Écarlates, uma obra de fantasia cujo argumento escreveu para o desenhador Mika.

A história marcou uma nova etapa profissional, permitindo-lhe demonstrar capacidades narrativas para além do desenho e da coloração.

Em 2021, iniciou Vesper, uma série de fantasia sombria na qual assumiu o argumento, o desenho e a construção do universo ficcional.

A protagonista, Vesper, é uma guerreira dotada de poderes extraordinários, envolvida em conflitos políticos, religiosos e mágicos num mundo marcado pela violência e por forças sobrenaturais.

Com esta série, Jérémy conquistou maior autonomia criativa, desenvolvendo personagens e narrativas próprias, sem depender exclusivamente de argumentos de outros autores.

Vesper tornou-se um dos projetos mais pessoais da sua carreira, demonstrando a sua ambição de construir universos de fantasia complexos e visualmente distintos.

O regresso a Murena como desenhador (2025–presente)

Em 2025, Jérémy regressou a Murena, desta vez como desenhador principal, sucedendo a Théo Caneschi, que havia assumido a série após a morte de Philippe Delaby.

O seu primeiro álbum nesta nova função foi o décimo terceiro volume, Les Neronia, publicado pela Dargaud, com argumento de Jean Dufaux.

A escolha de Jérémy representou um regresso às origens, uma vez que a sua carreira profissional começara precisamente como colorista da série, sob a orientação de Delaby.

O profundo conhecimento das personagens, dos ambientes e da identidade visual de Murena tornou-o um sucessor particularmente adequado.

A sua interpretação procura recuperar a elegância e o naturalismo do desenho original, preservando simultaneamente a evolução artística que desenvolveu ao longo de duas décadas.

Este regresso constitui um dos momentos mais simbólicos da sua trajetória profissional, ligando o início da sua carreira à responsabilidade de continuar uma das grandes obras da banda desenhada histórica europeia.

Principais obras

  • Murena (2005–2010; desde 2025) — Colorista dos volumes 5 a 8 e, posteriormente, desenhador principal a partir do volume 13, com argumento de Jean Dufaux.
  • La Complainte des Landes Perdues (2004–2014) — Coloração de álbuns do segundo ciclo e conclusão gráfica do oitavo volume, após a morte de Philippe Delaby.
  • Barracuda (2010–2016) — Série de seis volumes sobre pirataria, com argumento de Jean Dufaux.
  • Les Chevaliers d'Héliopolis (2017–2020) — Saga de fantasia histórica e alquimia, escrita por Alejandro Jodorowsky.
  • Layla – Conte des Marais Écarlates (2018) — Obra de fantasia, com argumento de Jérémy e desenhos de Mika.
  • Vesper (desde 2021) — Série de fantasia sombria, concebida, escrita e desenhada por Jérémy.

Estilo artístico e temas

Jérémy desenvolveu uma linguagem gráfica que combina a tradição realista franco-belga com influências da fantasia contemporânea e da estética cinematográfica.

A aprendizagem com Philippe Delaby foi determinante para o seu domínio da anatomia, da expressividade das personagens e da composição narrativa. Contudo, ao longo da carreira, construiu um estilo próprio, caracterizado por um desenho enérgico e uma utilização particularmente expressiva da cor.

Principais características do seu estilo:

  • Desenho realista, com especial atenção à anatomia e ao movimento.
  • Expressões faciais intensas e personagens emocionalmente complexas.
  • Composições dinâmicas, inspiradas na linguagem cinematográfica.
  • Utilização expressiva da cor para criar ambientes e atmosferas.
  • Cenários detalhados, tanto históricos como imaginários.
  • Representação de combates, criaturas fantásticas e ambientes sombrios.

Temas recorrentes:

  • Liberdade individual e resistência à opressão.
  • Ambição, poder e corrupção.
  • Destino, identidade e transformação pessoal.
  • Relações de lealdade, amizade e traição.
  • Magia, alquimia e forças sobrenaturais.
  • Violência e consequências das escolhas humanas.

Reconhecimento e legado

Jérémy Petiqueux pertence a uma geração de autores que conseguiu renovar a tradição do desenho realista europeu, conciliando a herança dos grandes mestres franco-belgas com novas abordagens narrativas.

O seu percurso distingue-se pela evolução de colorista para desenhador e, posteriormente, para autor completo, assumindo progressivamente maior responsabilidade criativa.

A colaboração com Philippe Delaby marcou profundamente a sua formação, enquanto os projetos desenvolvidos com Jean Dufaux e Alejandro Jodorowsky contribuíram para a sua projeção internacional.

A criação de Vesper demonstrou a sua capacidade para desenvolver universos originais, e o regresso a Murena, em 2025, confirmou a confiança depositada no seu talento.

Jérémy é hoje reconhecido como um dos desenhadores belgas mais talentosos da sua geração, destacando-se pela versatilidade artística, pela qualidade narrativa e pela capacidade de preservar a tradição da banda desenhada realista, sem abdicar de uma identidade criativa própria.

 

 
 
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